O tempo frio convida a programas dentro de casa, no aconchego de um sofá, de almofadas confortáveis e mantas quentinhas. Aproveita este tempo para te dedicares ao prazer de ler um bom livro. Estes são os clássicos da literatura portuguesa que merecem mesmo ser lidos.

#1 Os Maias, Eça de Queiroz (1888)

Os Maias, de Eça de Queiroz, é um romance que acompanha as peripécias e a catástrofe de uma família em finais do século XIX. O livro, aclamado desde cedo pela crítica e pelo público, retrata de forma impiedosa a sociedade portuguesa e os seus pecados, através de uma trágica história de amor incestuoso.

Nesta obra, um dos expoentes máximos da literatura em português, não faltam o fatalismo, a análise social, o realismo e, claro, o humor único do autor. Em Os Maias, Eça de Queiroz aponta o olhar arguto à situação decadente do país, tanto a nível político quanto cultural, e a alta burguesia lisboeta. Para ler pelo menos uma vez na vida.

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#2 O Malhadinhas, Aquilino Ribeiro (1922)

Esta obra, uma das mais conhecidas de Aquilino Ribeiro, decorre em forma de monólogo e conta a história de um almocreve, o Malhadinhas. Trata-se de um serrano rústico, grosseiro e matreiro, que não tem qualquer problema em agir pelas próprias mãos, quando entende algo como injusto. Assim, em sucessivos episódios picarescos e num tom coloquial, assistimos ao Malhadinhas a defender-se à navalhada e golpes de pau de qualquer inimigo que se atravesse no seu caminho.

Aquilino Ribeiro, nascido na Beira Alta no ano de 1885, deixou uma vasta obra, na qual cultivou todos os géneros literários. Em O Malhadinhas, o autor faz o retrato de um Portugal esquecido, criando uma referência na literatura portuguesa que se destaca pela pureza da linguagem e provérbios e ditados que se perderam no tempo.

#3 Mensagem, Fernando Pessoa (1934)

Mensagem é a única obra completa publicada durante a vida de Fernando Pessoa. Composta por 44 poemas, era chamada pelo seu autor de “livro pequeno de poemas”. Esta obra está dividida em 3 partes: Brasão, Mar Português e O Encoberto, que revisitam uma mitologia do passado heroico de Portugal, repleta de símbolos.

Publicado a 1 de dezembro de 1934, um ano antes da morte do poeta, Fernando Pessoa contempla um passado repleto de heróis e mitos. Ulisses, Viriato, Infante D. Henrique, Nuno Álvares Pereira e o desejado D. Sebastião não faltam à chamada de um dos pais fundadores da literatura portuguesa moderna. Para o poeta, a grandeza das viagens marítimas é o incitamento à ambição e ao sonho. Tal como escreve no último verso: “É a Hora!”.

#4 Bichos, Miguel Torga (1940)

Bichos, de Miguel Torga é um incontestável clássico da literatura portuguesa, publicado pela primeira vez em 1940. Levantando questões relevantes sobre a sociedade e a sua própria existência, esta obra é um universo desenhado em catorze contos, onde humanos e animais partilhas as mesmas características e também as vicissitudes da vida.

Estes “bichos”, animais e humanos, estão todos na mesma “Arca de Noé”, a terra mãe, irmanados numa luta igual pela vida e pela liberdade. O Homem é, neste livro, representado como mais um bicho entre outros tantos, não ocupando um lugar privilegiado na criação.

Miguel Torga via a evolução como a causa para o afastamento do Homem da natureza, condenando-o à perdição. Esta obra é uma busca pela essência selvagem, a pureza e os instintos em que o autor questiona a religião, a liberdade, a sociedade e a relação do indivíduo com elas.

#5 Esteiros, Soeiro Pereira Gomes (1941)

Em Esteiros, publicado em 1941, Soeiro Pereira Gomes retrata a miséria que era a realidade de um país pobre, sem esperança e onde mais de metade da população era analfabeta. Para isso recorre a personagens inesquecíveis, como o Gaitinhas, o Guedelhas, o Gineto, o Maquineta e o Sagui. São os filhos dos homens que nunca foram meninos.

Uma das obras mais emblemáticas do movimento neorrealista português, escrita numa linguagem acessível, mas cuidada, com frases simples e privilegiando o discurso direto, este é um clássico imperdível da literatura portuguesa. A sua primeira edição tem capa e ilustrações de Álvaro Cunhal, o histórico fundador do PCP, o partido comunista português, ao qual Soeiro Pereira Gomes aderiu em 1937.

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#6 Uma Abelha na Chuva, Carlos de Oliveira (1953)

Uma Abelha na Chuva é uma narrativa de Carlos de Oliveira que retrata o Portugal medíocre de Salazar, onde as fidalguias viviam de aparências, onde se fingia para se manter o património intacto. Com uma consciência social marcada pela pobreza dos camponeses, pela mortalidade infantil e pela imigração, num país oprimido, o autor procurava despertar mentalidades e ambições num país amordaçado.

O autor é um dos pioneiros do neorrealismo em Portugal, ao lado de Alves Redol, Soeiro Pereira Gomes e Mário Dionísio. Enquanto poeta e ficcionista, Carlos de Oliveira publicou dezenas de livros e obras marcantes, tornando-se uma referência na literatura portuguesa.

#7 A Sibila, Agustina Bessa-Luís (1954)

Agustina Bessa-Luís publicou o romance A Sibila em 1954. A história narra a vida de três gerações da família Teixeira, assim como famílias e amigos próximos. Por entre críticas à burguesia rural, conspirações, corrupções e intrigas, desenvolve-se uma reflexão sobre a dimensão metafísica do ser humano. Este é provavelmente o livro mais conhecido da autora, tendo sido traduzido em várias línguas.

#8 Os Cus de Judas, António Lobo Antunes (1979)

Em Os Cus de Judas, o autor parte de um encontro noturno entre o narrador com uma mulher. O que se segue é o percurso de um médico militar que, depois de passar vinte e sete meses em Angola a servir o exército colonial, regressa à metrópole, perdido numa angústia sem saída. Vencedor do Prémio Bottari Lattes Grinzane, em 2018, António Lobo Antunes retrata de forma incisiva as memórias da guerra em Angola.

Lobo Antunes, licenciado em Medicina em 1969, combateu em Angola de 1971 a 1973 e tornou-se um dos escritores portugueses mais lidos, traduzidos e premiados em todo o mundo. Em 2005 foi distinguido com um dos mais importantes prémios literários do mundo: o Prémio Jerusalém. Também em 2007, recebeu o Prémio Camões, o mais importante da literatura portuguesa.

#9 Uma Coisa em Forma de Assim, Alexandre O’Neill (1985)

Alexandre O’Neill, autor de “Um Adeus Português”, tem uma escrita leve, clara e irreverente. Nesta obra, junta pequenas ficções, contos, crónicas, reflexões e devaneios. Com Uma Coisa em Forma de Assim O’Neill bebe inspiração dos anos em que ajudou a fundar o Grupo Surrealista de Lisboa.

O lado surrealista e crítico da sociedade da sua época tem destaque no enredo. O’Neill brinca, recorda, conversa sobre vários temas: de Eusébio ao canivete suíço, de Nova Iorque ao alumínio. E sobre westerns, a fome, o Diabo ou o fado canalha, num desfile de figuras bizarras, conversas inexplicáveis e vinhetas absurdas, mesclados com textos mais pessoais e memórias de infância.

#10 Cartas a Sandra, Vergílio Ferreira (1996)

Cartas a Sandra, uma obra inacabada de Vergílio Ferreira, romancista e ensaísta português, é composta por cartas que contêm uma história sobre o sentido da vida, da morte e da existência humana.

A história abre com Xana, filha de Paulo e de Sandra. Entre desabafos amorosos, em Cartas a Sandra escreve-se tudo o que ficou por dizer entre as duas personagens que dão vida à obra. Uma espécie de despedida, mas a que o leitor nunca quer dizer adeus.

#11 De Profundis, Valsa Lenta, José Cardoso Pires (1997)

De Profundis, Valsa Lenta de José Cardoso Pires é uma obra-prima da literatura portuguesa. Esta é narrativa de um acidente vascular cerebral que o próprio autor sofreu em 1995. As consequências foram graves: perda de memória total, que afetou gravemente a sua capacidade de escrita e fala, num período que o próprio designou de “morte branca”.

Cada texto resulta de horas e horas de exaustiva e paciente recuperação de memória, fala e capacidade escrita. Com um prefácio tocante de João Lobo Antunes, seu médico e amigo, esta obra conduz-nos pelos labirintos da mente humana para esta memória da doença. José Cardoso Pires viria a falecer pouco depois, com outro acidente vascular cerebral em 1998.

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