Difícil imaginar as longas viagens sem um botão mágico que arrefecesse o ar e quebrasse aquela sensação de conduzir numa estufa. Há alguns anos que o ar condicionado veio salvar a vida de quem passa muito tempo na estrada ou de quem não suporta ganhar um bronze através do vidro. 

A patente da invenção foi registada em 1906, pelo norte-americano Willis Haviland Carrier, e trazia as primeiras vantagens: controlo de temperatura, de humidade e circulação do ar, com purificação incluída. Mas foram precisos 30 anos para que o feito fosse aplicado, pela primeira vez, a um veículo automóvel. E só chegou aos carros do comum dos mortais nos anos 90 do século XX.

Mas vamos ao que interessa. Normalmente, este “salva queimaduras” está instalado por baixo do painel frontal do carro. Mas há mitos a explorar sobre a utilização do famoso A/C durante a condução e isso prende-se com a forma como, afinal, funciona a refrigeração do ar no automóvel.

Como funciona o ar condicionado?

Utiliza a bateria como forma de energia? Sim. Mas não só. A movimentação do motor é essencial para que a polia leve o compressor do ar condicionado a funcionar. Polia e motor giram paralelamente, mas é necessária a acoplação dessa polia ao eixo do compressor. Como é que isso acontece? Por trás daqueles compósitos de plástico e fios, que é o teu habitáculo, a embraiagem eletromagnética que controla a temperatura do ar é feita por circuitos elétricos que dependem, e agora sim, do fornecimento elétrico da bateria, bem como os sensores e ventiladores externos e internos que permitem a entrada, refrigeração e saída do ar.

O circuito é feito por um evaporador/ventoinha ligado ao compressor já referido. Temos, depois, um condensador, usualmente colocado perto do radiador, conectado a um secador e a válvula de expansão que faz o ar passar pelos medidores de pressão e temperatura. Neste sistema, circula o que chamamos de gás refrigerante (R-134a) e um óleo lubrificante que servirá para lubrificar o interior do compressor.

Para reduzir a temperatura, o gás é comprimido pelo compressor, o que gera calor. Enquanto esse calor é expulso para o exterior, o gás passa ao estado líquido e chega à válvula de expansão onde se transforma, uma vez mais, em estado gasoso passando de alta pressão para baixa, recomeçando o percurso inicial. Ou seja, absorve o calor, passa para estado gasoso, arrefece-o e as ventoinhas encarregam-se de empurrar o ar fresco para dentro do veículo.

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Complicado? Nem por isso. De forma mais minuciosa: o evaporador (para circuito fechado) ou ventilador chupam literalmente o ar que, em contacto com o líquido de refrigeração, que ganhou forma de gás de baixa pressão no compressor, absorve o calor. O ar passa pelo evaporador, arrefece, é puxado pelo ventilador e expelido na temperatura que definimos como ideal. Este circuito, em “loop”, faz-se durante toda a utilização do ar condicionado.

Quando fazer manutenção do ar condicionado

Dilemas em tornar o ambiente mais respirável em tempo de muito calor? A necessidade de maior manutenção do ar condicionado (que deve ser feita de seis em seis meses segundo os mais puristas). Todo o equipamento está unido por tubulações estanques para evitar contaminações de resíduos e impurezas e a sua utilização, com o tempo, exige alguma limpeza. Um dos sinais de que o filtro precisa de ser imediatamente trocado, é o mau-cheiro inicial quando se liga, sintoma de possível existência de fungos ou bactérias.  

Quando queremos usar o A/C para temperaturas quentes, normalmente no inverno, o sistema é inverso, já que o calor é gerado pelo motor do carro e o sistema de arrefecimento. O funcionamento é, claro está, mais simples. O líquido de refrigeração do motor circula através de um radiador, controlado por uma válvula, e regressa ao circuito de arrefecimento do motor. A água quente aquece esse pequeno radiador e ventilador que suga o ar, aí conectado, faz a magia seguinte: expele o ar quente no interior do carro. Na prática, é a circulação de água quente do motor no radiador que gera ar quente.

Posto isto, alertas que deixamos? A utilização do A/C tem custos. O consumo de combustível sobe e pode trazer dissabores à carteira em dias de muito calor e excesso de utilização. É que a polia do A/C exige mais esforço do motor. Logo, mais combustível. Quando o compressor funciona, com recurso à correia de distribuição do motor, a exigência leva a perda de potência do motor (ah, pois, subidas e acelerações frustradas, não é?). Não esquecer, claro está, que maximizar o uso do A/C só com vidros fechados – ou será dinheiro deitado à rua em cada quilómetro.


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