Os pneus são os componentes menos atrativos no visual exterior de um carro, exibindo sempre o mesmo formato e cor (embora já tenha havido casos muito escassos de pneus que não eram pretos). Terá então o desenho do piso dos pneus uma função decorativa, para os tornar mais apelativos? Até pode ser, mas é uma consequência e não uma causa. O seu principal papel é contribuir para a segurança e desempenho dos carros.

Podes perguntar porque é que os pneus que usamos nas nossas viaturas para circular em estrada têm um rasto esculpido e não um piso liso, sem ranhuras? Afinal, em competição em pista, em particular na Fórmula 1, são usados pneus lisos, os chamados “slicks”, que apresentam uma maior área de contato com o asfalto e assim proporcionam melhores performances. Porém, não há bela sem senão: só são usados com a pista seca; com chuva ou solo molhado, são substituídos por pneus com ranhuras, para permitir o escoamento da água e impedir a aquaplanagem, consequência da perda de aderência dos pneus e que se pauta pela falta de controlo do veículo.

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Por isso, a resposta à tua questão é que os carros normais precisam de estar aptos a rodar em todas as condições de tempo e de estado das vias, sem haver necessidade de trocar constantemente de pneus (como sucede em competição). E mesmo assim, em muitos países, é necessário (e muitas vezes obrigatório) dispores de dois jogos de pneus: um para Verão e outro para Inverno.

As ranhuras e canais no desenho do rasto dos pneus são indispensáveis para o escoamento da água que se acumula no solo e para garantir uma maior estabilidade em situações em que a estrada apresente uma superfície irregular. Os pneus, mesmo estando adequados a circular em todas as situações, têm diferentes propriedades e aptidões, pelo que o desenho de piso não é igual e pode ser específico de acordo com as necessidades, sendo agrupável em três categorias:

1. Pneus de rasto simétrico

Fala-se de rasto simétrico quando o padrão de desenho do piso é igual em todo o pneu. São mais básicos e duráveis e utilizados quando não são requeridos desempenhos especiais. Também são muito versáteis, com um bom desempenho global, em especial em pavimento seco, devido à rigidez da escultura, proporcionada pelo menor número de lamelas e tacos de borracha.

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2. Pneus de rasto assimétrico

Os pneus de rasto assimétrico são pneus híbridos, adequados para veículos com performances mais exigentes: a metade interior do piso está desenhada para expulsar melhor a água (pavimento molhado) e a metade exterior para promover uma boa aderência ao solo a velocidades altas (seco). Oferecem, desta forma, uma aderência superior, uma drenagem eficaz da água, um ombro exterior otimizado para um melhor comportamento em curva e uma boa superfície de contato com o solo (pegada ou footprint), o que permite uma condução a alta velocidade.

3. Pneus direcionais

Adequados para condições climatéricas mais extremas (neve, gelo, chuva ou humidade). O desenho do piso em ‘V’ permite evacuar maiores quantidades de água, minimizando despistes devido a aquaplanagem. A sua montagem nos carros deve ser a correta, pois rodam num único sentido (inscrito na parede do pneu). Proporcionam aderência e bom controlo da direção, mesmo em condições de aquaplanagem.

O que importa é só o desenho do pneu?

Apesar de o desenho ser essencial para compreender o comportamento do pneu, a qualidade e a quantidade dos desenhos do piso só terão a influência desejada na condução se a profundidade das ranhuras e canais tiver um mínimo aceitável. 

Se, devido a desgaste, a profundidade do desenho do piso for igual ou inferior a 1,6mm, os pneus são considerados carecas ou lisos e incorres em multa que vai dos 250€ aos 1250€. Pior: se conduzires com pneus lisos ou carecas, a probabilidade de sofreres ou causares acidentes graves por aquaplanagem, travagem deficiente, sobre ou subviragem aumenta exponencialmente.

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Aliás, recomenda-se a substituição dos pneus antes de chegarem a esse ponto, até porque isso é acompanhado por uma degradação das propriedades dos compostos do seu fabrico. 

Também deves substituir os pneus que já tiverem rodado muitos quilómetros ou estiverem gretados, pois ocorre igualmente uma degradação das suas propriedades. Quando substituíres os pneus, não faças poupanças – escolhe marcas conceituadas (aproveita campanhas e compara os preços em vários estabelecimentos) e evita comprar pneus usados.


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