Os automóveis são máquinas maravilhosas e úteis, mas nem tudo são rosas, como sabes. Nos veículos com motores de combustão interna, a queima de combustível produz partículas que são nocivas para o ambiente e para os seres humanos, o que obrigou à instalação de um filtro de partículas.

Ao alojarem-se nos pulmões, estas partículas podem provocar graves doenças respiratórias. E, quando chegam à corrente sanguínea, podem traduzir-se em problemas cardiovasculares. As partículas são mesmo consideradas cancerígenas, o que faz delas um problema muito sério.

Para o resolver, no ano 1999, o grupo PSA (que pertence agora ao conglomerado Stellantis) lançou o seu primeiro automóvel diesel com filtro de partículas: o Peugeot 607.

Como funciona o filtro de partículas?

No essencial, o funcionamento do filtro de partículas não mudou desde então. Alojado no sistema de escape, a sua composição interna assemelha-se aos favos de mel das colmeias. Numa primeira fase, funciona como uma espécie de ratoeira que retém as partículas que resultam da combustão do combustível. A seguir, quando o filtro atinge um determinado nível de armazenamento (cerca de 50%), queima-as, evitando que estas, na sua esmagadora maioria, sejam lançadas na atmosfera. Este processo tem o nome de regeneração.

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Para fazer a regeneração, sai da cidade

Quando um carro a gasóleo faz muita estrada ou autoestrada, o veículo aquece o suficiente e a regeneração tem o tempo necessário para decorrer sem problemas. Já nos trajetos curtos citadinos, por vezes o automóvel não chega a aquecer o suficiente para iniciar aquele indispensável processo. Nesses casos, o “cérebro” eletrónico do veículo provoca a regeneração do filtro, ao injetar mais combustível para estimular o aumento da temperatura e a desejada queima das partículas.

Contudo, em certos casos, nem assim o processo se completa. Um passeio em autoestrada com alguns minutos à velocidade máxima regulamentar costuma ajudar, mas, no limite, a anomalia pode obrigar o condutor a levar o carro a uma oficina para a resolver. Nesta altura deverá acender uma luz no painel de instrumentos, notando-se ainda perda de rendimento do motor e aumento do consumo de combustível.

E aqui começa uma série de dores de cabeça que fazem dos filtros de partículas quase sempre uns mal-amados. Por isso se diz que um bom filtro de partículas é aquele que nunca dás por ele. Há ainda filtros que precisam de um aditivo para funcionarem, o que já de si representa uma despesa adicional.

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Na generalidade, consoante os quilómetros da viatura, podes necessitar de submeter o teu carro a intervenções ainda mais caras como é o caso da limpeza do filtro ou mesmo a respetiva substituição. Por isso, alguns condutores com menos escrúpulos ambientais optam mesmo por retirar o filtro de partículas. Esta prática, considerada ilegal e uma fraude, tem sido alvo de denúncias públicas, nomeadamente por parte de associações ambientalistas. Afinal, o condutor até pode poupar uns trocos, mas põe em risco a saúde do planeta e das pessoas.

Por isso, apesar de todos os possíveis constrangimentos que possas vir a ter, trata bem do filtro de partículas do teu carro, que muito provavelmente dispõe de um, já que, em 2011, passaram a ser obrigatórios em todos os veículos diesel vendidos novos.

Esse é um dos motivos para que hoje em dia os automóveis a gasóleo não produzirem aquela fumarada negra que era comum vermos há alguns anos (bom… ainda se veem carros a diesel a expelirem grandes nuvens de fumo negro, mas trata-se, na maioria das vezes, de modelos alterados para atingirem maior performance).

Por seu turno, os motores a gasolina começaram a utilizar a injeção direta de combustível para diminuírem as emissões de CO2. Se por um lado tem este benefício, também é verdade que a injeção direta provoca mais emissões de partículas. Então, para responder a esta subida de emissões de partículas, os carros a gasolina novos passaram a incluir filtro de partículas a partir de setembro de 2018.

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O que não será, à partida, sinónimo de mais preocupações. Se preferes um carro a gasolina porque achas que tem menos manutenção do que os diesel podes continuar a pensar da mesma forma. Os filtros de partículas para os carros a gasolina são, desde logo, feitos de um material muito menos caro do que os dos diesel, logo, são mais baratos.

Melhor ainda: a regeneração do filtro, através da queima das partículas, é muito mais fácil por os carros a gasolina atingirem mais facilmente temperaturas elevadas e os especialistas preveem que estes filtros durem toda a vida do automóvel (e, ao que tudo indica, sem necessitarem de manutenção!).


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