As energias renováveis estão a mudar a forma como consumimos energia elétrica. Um exemplo notório é o autoconsumo de eletricidade. A recente ascensão destes sistemas deve-se ao facto de a tecnologia envolvida ser cada vez mais acessível e de a burocracia ter vindo a diminuir.

Descobre como o autoconsumo ajuda a poupar na conta de eletricidade e a combater as mudanças climáticas.

O que é o autoconsumo e como funciona?

O recurso às energias renováveis para gerar eletricidade é cada vez mais significativo. Não só pelas grandes empresas, que tradicionalmente têm dominado o mercado de geração e distribuição de energia elétrica, mas também em pequena escala, por particulares.

O autoconsumo rompe com o sistema tradicional, de geração de energia elétrica em centrais termoelétricas e barragens, e distribuição posterior para as nossas casas, com desperdício no transporte e transformação. Pelo contrário, o autoconsumo dá a cada um a possibilidade de gerar a sua própria energia, e de a consumir quando é produzida.

O termo autoconsumo designa a produção de energia elétrica por fontes renováveis para consumo na própria instalação, seja em habitações, escritórios ou até fábricas. Para isso, é necessária uma unidade de produção para autoconsumo, ou UPAC. As principais vantagens são a redução de custos, menor impacto ambiental e maior autonomia.

O funcionamento do autoconsumo é o seguinte:

  1. A energia é gerada através de painéis fotovoltaicos ou turbinas eólicas (ou outras fontes renováveis) e, antes de ser consumida, passa por um inversor de rede, que converte a energia de corrente contínua para corrente alternada, para que possa ser utilizada. 
  2. Depois, à medida que a energia vai sendo consumida, um contador específico faz o registo elétrico, tal como num contador tradicional.
  3. Quando a energia produzida com o autoconsumo não é suficiente para as necessidades da casa, o sistema consome a partir da rede pública. Quando a produção de autoconsumo é superior às necessidades, a energia é vendida à rede, o que faz com que o autoprodutor ganhe dinheiro, que é abatido à fatura de eletricidade. 
  4. Adicionalmente, alguns sistemas contam com um acumulador, semelhante a uma bateria, que guarda a energia que não é utilizada no momento para mais tarde.
  5. Todos estes movimentos são registados num contador bidirecional e reportados à Rede Elétrica de Serviço Público (RESP).

É este funcionamento inovador, aliado à redução do investimento que se tem verificado nos últimos anos, que traz várias vantagens a quem adere ao autoconsumo.

As vantagens do autoconsumo

O autoconsumo de energia traz várias vantagens, para a carteira e para o ambiente.

  • Sustentabilidade: O autoconsumo ajuda a prevenir as emissões de gases de efeito estufa por meio do uso de energias renováveis, inesgotáveis ​​e ecologicamente sustentáveis. Como a energia flui diretamente do sistema de geração para local de consumo ou acumulador, também se verifica menos perda de energia no transporte.
  • Poupança: Aderir ao autoconsumo pode representar poupanças de até 50% na conta de luz. Porquê? Porque quanto mais semelhante for o perfil de consumo e de produção de energia, maior é a poupança. Com o autoconsumo, a energia produzida é utilizada quando é necessária, o que reduz a necessidade de consumir a energia da rede pública. Em momentos em que há excesso de produção, podes até vender a energia à rede, o que ajuda a reduzir a fatura ainda mais.
  • O investimento inicial compensa: A instalação de um sistema de autoconsumo em casa envolve um investimento inicial significativo – para uma casa média portuguesa, rondará os 2.000€, um investimento que se paga em cerca 8 anos. Mas, para ajudar a cobrir o investimento, é possível obter apoios do estado para investir num sistema de autoconsumo. O Fundo Ambiental foi criado para tornar as casas mais eficientes do ponto de vista energético e hídrico e são elegíveis particulares proprietários de edifícios de habitação, construídos até ao final do ano de 2006.

Como instalar um sistema de autoconsumo em casa

Para instalar um sistema de autoconsumo em casa, segue estes passos:

1# Faz as contas

Começa por calcular o consumo elétrico diário da casa. Esta informação é disponibilizada na fatura elétrica ou, se for uma casa nova, utiliza este simulador. Idealmente, a análise deve ter em conta o consumo no período entre as 8h e as 17h (em média). Esta é a altura em que os painéis produzem energia e coincide com as horas em que o custo da eletricidade é mais caro.

Verificando os tarifários para regime bi-horário, verifica-se que a energia consumida nestes período é paga a 0,19 €/kWh. Ou seja, quem tiver instalado um painel fotovoltaico que reduzir a compra de energia à rede nestes períodos, terá uma poupança equivalente a este preço.

Bi-horário ou tri-horário: qual é a melhor opção?

2# Verifica se tens condições para instalar o sistema

Deve verificar se existem condições em casa para instalar painéis fotovoltaicos, o inversor de rede, os contadores e, caso aplicável, o acumulador. Tudo isto ocupa espaço e os painéis requerem uma boa exposição solar durante grande parte do dia.

3# Pede autorização

A produção para autoconsumo pressupõe um procedimento administrativo junto da Direção-Geral de Energia e Geologia prévio ao início da atividade, cujos requisitos dependem da potência instalada da UPAC. Depois, pode ou não ser necessário obter um controlo prévio.

Uma UPAC com potência instalada igual ou inferior a 350 W não está sujeita a este controlo, mas, se tiver uma potência entre 350 W e 30 kW, é necessária uma comunicação prévia.

3# Contrata a instalação

Contratar um profissional é, em alguns casos, obrigatório. Se a UPAC tiver uma potência instalada superior a 350 W deve ser executada por uma entidade instaladora especializada. De qualquer forma, é sempre recomendável procurar o apoio de um profissional para ajudar em todo o processo, consultar mais que um fornecedor e pedir vários orçamentos.

De preferência, contrata um serviço de instalação completo, ou chave-na-mão. Após a instalação, pede os manuais de utilização e certificados de garantia dos vários componentes. Exige também que o instalador explique o funcionamento dos vários componentes e quais os procedimentos de manutenção.

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5# Cumpre a fiscalização

As UPAC com potência instalada superior a 20,7 kW encontram-se ainda sujeitas a inspeções periódicas, a cada 10 anos. Nos restantes casos, a fiscalização faz-se a cada 8 anos.

Para além do autoconsumo, existem muitas outras formas de tornar uma casa mais sustentável. Desde a aerotermia à escolha de janelas eficientes, no OLX encontras tudo para viver uma vida mais amiga do ambiente e da tua carteira.


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Um comentário a “Vale a pena investir num sistema de autoconsumo?”

  1. Maria do Céu Fernandes diz:

    Obrigada por mais um artigo e mais uma oportunidade de aprendizagem e atualização.

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